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A Radiologia Intervencionista propiciou um grande avanço na ajuda ao tratamento das doenças oncológicas.

Os principais campos de atuação são: os Acessos Venosos;  As embolizações; as Drenagens Percutâneas; , as quimioterapias intra-arteriais;  A radioterapia intra-arterial; ablação e alcoolização de tumores.

11.1 Cateteres e Acessos Venosos:

O QUE SÃO E PARA QUÊ SERVEM?

Um dos grandes problemas de pacientes que necessitam de receber medicamentos a longo prazo é o acesso venoso adequado. As veias superficiais dos membros superiores (as mais utilizadas)  vão sendo usadas tanto para infusão de medicamentos quanto para a coleta de sangue, o que em pouco tempo as tornam finas, sem possibilidade de uso, causando desconforto e sofrimento a cada vez que são utilizadas. Muitas vezes, as veias muito finas não aguentam a  pressão e “estouram”, com consequente extravasamento dos medicamentos para o tecido subcutâneo, podendo causar dor, inchaço (edema), infecção (celulite) e até feridas na pele (ulceras e escaras).

A função dos acessos venosos então é propiciar conforto e segurança para o paciente, evitando o sofrimento decorrente das complicações da ausência de veias adequadas e minimizando a dor no momento das punções (pegar a veia).

Qualquer pessoa, crianças, jovens, adultos e idosos  podem receber cateteres de acesso venoso, pois existem cateteres de vários tipos e tamanhos e calibres. A depender da necessidade de cada um, será indicado o tipo de cateter mais adequado.

Várias são as aplicações destes cateteres. Podem ser utilizados para receber medicamentos, antibióticos, quimioterápicos, transfusão de sangue, transplante de medula óssea  e também para coletar sangue para exames de rotina.

QUAIS OS TIPOS QUE EXISTEM?

Os acessos venosos definitivos, geralmente são realizados por implante de cateteres que podem ser de 2 tipos : os temporários e os definitivos (longa permanência) .

Os cateteres temporários são geralmente cateteres que permanecerão entre 14 e 30 dias, tem uma parte externa, que fica para fora da pele por onde serão injetado as medicações.

Os cateteres de longa permanência (definitivos) são cateteres colocados quando o paciente necessitará de receber medicamentos por mais de 4 semanas. São na maioria vezes cateteres que não tem componente externo, ficando totalmente em baixo da pele. São dispositivos tipo “Porth”, que possuem um recipiente (“estojo”) acoplado a um cateter propriamente dito, que fica posicionado no interior de uma veia de grosso calibre (central).

A qualquer momento estes cateteres podem ser retirados, a depender da necessidade, como por exemplo quando se termina o ciclo de quimioterapia ou de um antibiótico.

COMO É IMPLANTADO?

Nosso grupo opta por realizar o implante dos cateteres através de pequenas cirurgias, geralmente com anestesia local e uma sedação feita por anestesiologista, em ambiente de sala de hemodinâmica, dentro do hospital.

 Todos os cateteres são implantados através de realização de Ultrassom tipo Ecografia com Doppler Colorido para adequada visualização e mapeamento dos melhores vasos para implantar os cateteres. Realizamos ainda a injeção de contraste obtendo uma Angiografia venosa das veias utilizadas até o átrio direito, tanto antes como após o implante do cateter. Estas medidas tem por finalidade garantir qualidade no acesso (selecionando as melhores veias), segurança no momento da punção evitando as complicações a seguir descritas.

O tempo da cirurgia é em torno de 01 hora, a maioria dos pacientes tem alta no mesmo dia, sem necessidade de permanecer internado no hospital.

COMPLICAÇÕES

Estima-se que até 5% dos pacientes submetidos a implante de cateteres venosos tem complicações decorrentes do acesso.

As complicações imediatas mais comuns são:

– edema por sangramento no momento da punção;

– punção de estruturas próximas como nervos, cursando com formigamento (parestesia) durante dias;

–  transfixação do vaso e perfuração da pleura que pode causar hemotórax (sangramento no espaço da pleura) ou pneumotórax (vazamento de ar fora do pulmão para a cavidade pleural) , com necessidade de drenagem torácica e as vezes transfusão de sangue.

Estas complicações são evitadas/minimizadas através da técnica que utilizamos, como a punção guiada por Ultrassom e a realização de angiografia, certificando o exato posicionamento e funcionamento do cateter.

As complicações a longo prazo mais comuns são:

  • formação de um coagulo ao redor do cateter causando trombose venosa peri-cateter, com inchaço (edema) do membro. Geralmente não é necessário a retirada do cateter, apenas o uso de medicamento para tratar a trombose.
  • Infecção do cateter, geralmente causada por infecção de outros locais cujas bactérias que circulam no sangue vão se aderir ao cateter. Lembramos que os pacientes que recebem quimioterapia geralmente ficam com imunidade diminuída e são mais susceptíveis a infecções.

11.2 EMBOLIZAÇÕES

            O termo embolização significa ocluir (entupir) um vaso ou o conjunto de vasos que nutrem uma lesão.

            Existem vários materiais que podem ser usados, para conseguir este resultado, sendo as microesferas, as micromolas e as colas as mais comuns.

            A técnica consiste em realizar um cateterismo (semelhante ao que é feito no coração) no órgão onde esta o tumor para avaliar sua irrigação. Quando se identifica um ramo arterial nutrindo as lesões, é passado um microcateter, capaz de chegar aos pequenos ramos da lesão, realizando a oclusão seletiva nestes vasos, sem prejudicar a irrigação de tecido normal.

            Sem duvida as microesferas tem um papel mais abrangente. Existem  de vários tamanhos, sendo compatíveis para utilização em vasos microscópicos.

            Os locais mais comuns de utilização são no fígado, nas suprarrenais, nos tumores do glomus carotídeo, nos meningiomas . No entanto, todos os tumores que possuem irrigação arterial podem ser submetidos a técnica de embolização.

11.3 – QUIMIOTERAPIA INTRA-ARTERIAL

            Consiste em realizar um cateterismo seletivo do órgão onde está o tumor, identificar os vasos que irrigam a lesão e injetar o quimioterápico diretamente na lesão. Esta técnica diminui a quantidade da dose de quimioterapia, pois a injeção é feita diretamente no tumor.

11.4 – QUIMIOEMBOLIZAÇÃO

            Está é a técnica mais utilizada para os tumores de fígado. Consiste em uma junção da quimioterapia com a embolização.

            Nesta técnica, existem microesferas especiais (ditas “carreadoras”) que são embebidas no quimioterápico. Estas esferas absorvem o quimioterápico. Uma vez realizada a injeção destas esferas especiais (igual a técnica de embolização convencional), estas esferas promoverão dupla ação contra o tumor: acabar com a irrigação existente + destruir células pelo efeito do quimioterápico.

            Ainda existe ainda um beneficio maior, pois as esferas carreadoras liberam parcimoniosamente o quimioterápico, em geral durante 14 dias. Isto diminui os efeitos colaterais de uma quimioterapia e mantém uma liberação contínua, atingindo varias fases do ciclo celular do tumor.

11.5 – RADIOEMBOLIZAÇÃO

            É a modalidade mais recente, já com resultados muito promissores. Consiste na mesma técnica da quimioembolização, porém agora as microesferas vão “carrear” um radioisótopo, o Itrium, promovendo uma agressão por radioterapia localizada junto com a obstrução dos vasos que nutrem o tumor.

11.6 – DRENAGEM BILIAR, DILATAÇÕES E STENTS BILIARES

            Muitas doenças podem ocasionar o acumulo de bile na arvore biliar, impedindo o escoamento para o intestino. O resultado é a ICTERÍCIA, a pigmentação amarelada da pele e mucosas, que ainda traz coloração escurecida na urina e fezes claras.

            A dificuldade do esvaziamento da bile  pode ocorrer por obstruções no próprio ducto biliar dentro do fígado ou ao longo de seu trajeto até chegar ao intestino. A vesícula biliar também armazena bile, e se junta aos ductos hepáticos formando o ducto colédoco. Neste caminho, o ducto colédoco, passa por um trajeto dentro de pâncreas. Portanto qualquer ponto de compressão irá causar obstrução da via biliar e consequente acúmulo de bile.

Níveis elevados de bilirrubina no sangue alteram a coagulação, a absorção de alimentos, podem levar à várias alterações, até efeitos até no sistema nervoso central, causando sonolência e confusão mental, conhecida por encefalopatia.

            A bile parada no ducto ainda é um meio que pode propiciar ao crescimento de bactérias, cursando com infecções graves, conhecidas como colangites.

            O procedimentos de drenagem biliar servem então para aliviar a icterícia, seus efeitos indesejados e também  a tratar infecções. Os drenos geralmente trazem o liquido biliar para o meio externo (paciente fica com um dreno através da pele).

            É possível realizar a dilatação dos ductos biliares e também implantar próteses (stents) que mantem a via biliar aberta, evitando a re-obstrução. 

            Estes procedimentos são realizados por punção, introduzindo uma agulha atravessando a pele até o interior do fígado. Geralmente são realizados com anestesia geral ou sedação profunda, em ambiente de suíte de radiologia intervencionista, com auxilio de Ultrassom, equipamento de hemodinâmica capazes de guiar os fios, drenos, cateteres e stents pela via biliar, propiciando uma abordagem segura, minimizando complicações.

            Mesmo com toda precaução, existem complicações possíveis, sendo as mais comuns o sangramento do fígado, o extravasamento de bile para a cavidade abdominal e menos comumente para a pleura (película que reveste os pulmões).

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